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Cólicas do Bebê

Por:Gustavo Porto
Artigos

15

nov 2016

As cólicas do bebê geralmente estão presentes nos três primeiros meses de vida, se iniciando no final da 2ª semana e com o pico de intensidade no 2º mês. Em 30% dos casos, os sintomas podem persistir até o 4º ou 5º mês.

As cólicas habitualmente ocorrem no final da tarde e início da noite e se caracterizam por choro alto e persistente, flexão das pernas sobre o abdômen, rosto avermelhado, dorso arqueado e face de dor. O abdômen pode estar duro e distendido e a crise de choro pode ser acompanhada de regurgitações e eliminação de gases.

Independentemente de ser uma etiologia benigna, causa estresse aos pais, muitas vezes levando-os a exaustão, que em virtude disso podem tomar medidas consideradas perigosas na tentativa de acalmar os bebês.

Deve-se lembrar que o recém-nascido chora por qualquer condição que o esteja incomodando, não necessariamente apenas dor, como por exemplo: frio, calor, sono, fome, fralda suja ou apertada, roupas úmidas pelo suor, ambiente agitado, ou simplesmente porque quer colo e carinho.

O choro excessivo, apesar de geralmente possuir causa benigna, pode em 5 a 10% dos casos ser originário de algum problema orgânico. Sinais de alerta para que o choro não seja de causa benigna são: recusa do seio ou da dieta, sangue nas fezes, febre ou hipotermia e perda ou dificuldade de ganho de peso.

COMO LIDAR COM A CÓLICA

O ponto mais importante é manter a calma e transmitir calma para a criança. Deve-se lembrar que a cólica é um evento benigno, portanto não se trata de uma doença. As cólicas do lactente são comuns e estão relacionadas à imaturidade do intestino do bebê, desaparecendo em poucos meses.

Várias estratégias e condutas podem ajudar durante as crises:

– massagem na barriga do bebê, de preferência no sentido horário, ou dobrar delicadamente as pernas do bebê sobre o abdome (movimento de pedalar) ajuda a eliminar os gases;

– deitar o bebê de bruços, sobre as próprias pernas ou abdome do pai ou mãe, causa uma leve pressão e transmite calor ao abdome do bebê que alivia o desconforto;

– compressas mornas no abdômen têm efeito analgésico (cuidado com temperatura excessiva da compressa);

– um ambiente tranquilo, música suave e banho morno  ajudam a relaxar;

O USO DE MEDICAÇÕES

O uso de medicações é um ponto controverso. Analgésicos costumam fazer pouco ou nenhum efeito, assim como remédios contra gazes. Antiespasmódicos também devem ser evitados devidos aos potenciais efeitos colaterais.

O uso de probióticos tem sido tema de vários estudos e estão sendo cada vez mais usados, mas as evidências sobre sua eficácia são controversas.

Fontes: Pediatric Gastrointestinal Disease, Walker, 4th edition; www.conversandocomopediatra.com.br; Arch Argent Pediatr 2016;114(4):368-374; J Pediatr (Rio J). 2016;92(3 Suppl 1):S40-S45


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