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Bullying

Por:Gustavo Porto
Artigos

21

jul 2016

O bullying se caracteriza quando a criança e/ou o adolescente estão expostos repetidamente a agressões diretas (física, verbal ou por gestos) e/ou indiretas (exclusão social, fofocas, etc.) por parte de seus colegas, predominantemente da escola. É importante destacar que são a intencionalidade de fazer mal e persistência desse tipo de prática os fatores que diferenciam o bullying de outras situações ou comportamentos agressivos.

É uma violência multifacetária: desigualdade de poder, exercido de forma intimidatória ao mais fraco com a intenção de causar dano e que é realizada recorrentemente, com ausência de motivação evidente. A assimetria de poder pode ser devida a: diferença de idade, tamanho, desenvolvimento físico ou emocional ou significativo apoio dos demais estudantes.

O bullying é classificado como direito ou indireto. É considerado como bullying direto o ato de apelidar, de agredir fisicamente, ameaçar, roubar, ofender verbalmente com expressões e gestos que geram mal-estar aos alvos. São considerados como bullying indireto as atitudes de indiferença, isolamento, difamação e negação aos desejos. A forma direta é mais comum aos meninos enquanto a forma indireta é preponderante nas meninas.

O aluno-alvo, em geral, não dispõe de recursos, status ou habilidade para reagir ao bullying ou cessá-lo. Geralmente ele é pouco sociável, inseguro e desesperançado quanto à possibilidade de adequação ao grupo. Sua baixa autoestima é agravada por críticas dos adultos, dificultando a possibilidade de ajuda. Tem poucos amigos, é passivo, retraído, infeliz e sofre com a vergonha, o medo, depressão e ansiedade.

A duração e a regularidade das agressões contribuem fortemente para o agravamento dos efeitos. O medo, a tensão e a preocupação com sua imagem são capazes de comprometer o seu desenvolvimento acadêmico e de promover o conceito negativo de si mesmo. Ele pode evitar a escola e o convívio social e, mais raramente, apresentar atitudes de autodestruição, intenções suicidas ou se sentir compelido a adotar medidas drásticas, como atos de vingança, reações violentas, portar armas ou cometer suicídio.

É pouco comum que a vítima revele espontaneamente o bullying sofrido, seja por vergonha, por temer retaliações, por descrer nas atitudes favoráveis da escola ou por recear possíveis críticas.

O autor do bullying é tipicamente popular; pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos; vê sua agressividade como qualidade; tem opiniões positivas sobre si mesmo; é geralmente mais forte que seu alvo; sente prazer e satisfação em dominar, controlar e causar danos e sofrimentos a outros; além disso, pode existir um “componente benefício” em sua conduta, como ganhos sociais e materiais.

Algumas condições familiares adversas parecem favorecer o desenvolvimento da agressividade nas crianças. Podem-se identificar a desestruturação familiar, o relacionamento afetivo pobre, o excesso de tolerância ou de permissividade e a prática de maus-tratos físicos ou explosões emocionais como afirmação de poder dos pais.

Pessoas que sofre bullying quando crianças são mais propensas a sofrerem depressão e baixa autoestima quando adultas. Da mesma forma, quanto mais jovem for o autor do bullying, mais alto será o risco de apresentar problemas associados a comportamentos antissociais na vida adulta e à perda de oportunidades como a instabilidade no trabalho e relacionamentos afetivos pouco duradouros.

Como lidar com o bullying?

Não há fórmula pronta para lidar com o bullying, mas é certo que três esferas são fundamentais na intervenção deste problema: a família, a escola e o sistema de garantia dos direitos da criança e do adolescente.

Mesmo que você não pense que seu filho sofra ou pratique bullying, você pode ajudar a protegê-lo realizando perguntas simples:

  • “Como estão as coisas na escola?”
  • “O que você acha dos seus colegas de escola?”
  • “Alguém na escola tem te incomodado ou chateado?”

Como muitas crianças resistirão em falar sobre o assunto, por medo ou vergonha, observe sinais de que ele possa estar sofrendo bullying. A criança pode iniciar súbita falta de interesse na escola ou gradativamente não querer mais ir às aulas. Podem ocorrer sintomas psicossomáticos como dores abdominais, náuseas ou dores de cabeça. Os pais devem observar também o surgimento de contusões ou ferimentos inexplicáveis.

Sempre que se suspeitar que seu filho sofre ou pratica o bullying, entre em contato com a escola em busca de mais informações e sobre medidas a serem tomadas.

Fonte: Pediatria Ambulatorial, 5ª edição, editora Coopmed; www.healthychildren.org


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